sábado, 7 de julho de 2012

Segue a vida...

Aos 28 anos me vejo diante de mais uma cirurgia. E esta trazia más notícias, feito exames mais precisos como Ressonância magnética, foi diagnosticado o surgimento de um nódulo que ao que tudo indicava não era do "bem".
Mais uma luta para conseguirmos a tal cirurgia pelo SUS e com rapidez, após muitos esforços e cirurgia marcada por duas vezes, consegui operar.
O plano cirúrgico dizia que duraria no máximo 2hrs, em virtude da complexidade da cirurgia fiquei 7hrs em centro cirúrgico. Porém, com ótimas notícias ao acordar, o tumor era benigno!
No dia seguinte ao acordar, meu médico me dá a notícia de que era a portadora de Artrose degenerativa, e que não poderia de forma alguma caminhar sem auxilio de muletas. Ao sair do quarto, meu fisioterapeuta me olha e diz: eu se fosse você caía na piscina! Mas como se eu não sei nadar? Vai aprender disse ele!
E foi o que fiz! Esperei as incisões se fecharem por completo e caí na piscina. Daquele dia em diante minha vida mudou e mudou para muito melhor.
Com os exercícios na água e sem impacto, minha perna que sempre foi muito atrofiada passou para uma condição melhor. Os dois anos seguintes ainda fazia uso de Morfina para aguentar as dores, porém, ao obter fortalecimento muscular, fui sentindo confiança e larguei uma das muletas ( sem consentimento médico é claro), me sentia bem.
Minha vida tinha mais brilho agora, eu Fernanda praticava esporte!!! Isto era mais que a glória!
Me separei e fui ruma a Balneário Piçaras morar com minha Mamika, queria mudanças, e só dependia de mim.
Voltei a estudar e num teste peguei a bicicleta de minha mãe para dar uma volta na quadra, precisava ir para o colégio de uma forma mais barata! Consegui, eu consegui pedalar!!! Chorei de emoção, após uma vida toda de dor e limitações eu agora nadava e pedalava!!!!
Terminei meu segundo grau, o qual estava incompleto justamente pelo fator "perna" e dei um passo maior, havia um sonho guardado dentro de mim, o de ser Enfermeira.
Foi neste curso que conheci meu treinador, ele faz um lindo projeto de Escolinha de Triathlon para a criançada em Itajaí e é presidente da AITRI (associação itajaiense de triathlon).
Já venci alguns campeonatos importantes como o brasileiro de Paratriathlon, Duathlon de Palhoça, 3º lugar no Jasc 2011, enfim, para mim o mais importante é chegar, pois só quem já passou ou ainda passa por limitações na vida sabe o verdadeiro valor de se conseguir alcançar tais objetivos!!!
Meus treinos são diários e intensos, mas, amo, amo poder nadar, pedalar e correr (com dificuldade mas tô lá).
E mesmo que venham obstáculos, eu estarei lá para ultrapassá los, para superá los e para mostrar para todos que não é porque temos alguma deficiência que temos que aceitar a condição de inúteis, ou algum tipo de peso para a sociedade! Muito pelo contrário, podemos sim fazer tudo o quanto nossa mente permitir e acreditem ela é infinita no que diz respeito a possibilidades!!!
Sigo meu rumo, quero um dia que o mundo possa desfrutar destas humildes palavras e que muitas pessoas que se encontram numa cama desacreditadas possam sentir o verdadeiro sabor da VIDA!!!!!

Um comentário:

  1. Fiquei super empolgada com sua história , eu amo esporte mas desde 2010 quando engravidei comecei a ter dores terríveis e diagnosticada com artrite reumatóide na época antes de engravidar treinava jiu jitsu e vendo uma matéria sobre paraatletas pensei se eu tb não poderia ser uma e dar um novo motivo a minha vida ! Vc sabe se posso ser uma paratleta tenho carteira de deficiente fisico por conta das limitações pela dor.obrigada

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