domingo, 3 de junho de 2012


Com o auxílio de nossa família que é e sempre será maravilhosa, tias, tios e primos, todos vivendo nossa vida, sofrendo nossa dor, quando digo “nossa” é por que os personagens principais deste drama com certeza são eu e minha amada mãe.
Abro aspas para falar um pouco de minha guerreira, casou cedo, apaixonada, teve três filhos, meu mano Cristiano, Michelle minha eterna protetora e euzinha rsrs...Minha mãe sempre conta que eu fui uma criança extremamente saudável, não tive nenhuma dessas doenças de infância porém, quando adoeci foi pra valer.
Uma das cenas que mais gosto de me lembrar foi numa determinada tarde, minha mãe me levava para a Secretaria de educação, seu local de trabalho. Lá, eu tinha uma cama improvisada onde passava o dia na companhia de minha mãe datilografando documentos importantes e suas colegas. Adorava ver como ela era ágil e eficiente rsrs..Bem, ao retornarmos para casa eu no colo de minha mãe em pé pois, ainda estava com aquele gesso de corpo inteiro, começou a chover, e minha amada acelerou os passos, eu vendo seu esforço para que chegássemos logo, começo a enchê-la de beijos e dizia: Os meus beijinhos são o teu combustível, quanto mais beijinhos eu der mais rápido chegamos. Puxa, adorei lembrar isto, engraçado como nossas vidas sempre se unem, hoje, por exemplo, vivemos apenas eu e ela, numa mais que perfeita harmonia. Sempre dizemos uma à outra que somos o casamento mais perfeito que já conhecemos nos amamos, nos respeitamos e curtimos nossos momentos juntas com muita alegria.
Conseguimos uma consulta com Dr. Cunha no Hospital Cezar Perneta, sugestivo o nome para um hospital ortopédico, mas, confesso que de início não gostei, pois, esse era um dos adjetivos mais usados para minha pessoa na escola.
Entramos no consultório, eu, minha mãe e minha madrinha (mais tarde quero falar muito sobre ela, uma pessoa mais que especial para mim), sabe quando uma pessoa nasceu para desempenhar certa função? Pois é, Dr. Cunha é um anjo que Deus emprestou para nós meros mortais, e eu agradeço até hoje por este homem fazer parte de boa parte de minha vida. Atencioso, amável, e muito, muito brincalhão fez com que o clima de tensão e nervosismo atenuasse e muito. No meu próprio gesso ele começou a desenhar como as coisas estavam o que seria necessário para “tentar” reverter o caso. Ok, feito isto era chegada a hora de abrir o sarcófago rsrs... Lembro de minha querida madrinha ao meu lado tentando me acalmar fazendo com que aquele momento fosse menos traumático possível para mim, olha, para mim foi sim, porém, para ela... Ao abrir o gesso ela simplesmente desmaiou. O cheiro de podre tomou conta de todo o consultório e eu tentava levantar a cabeça para ver como minha perna estava o que vi era apenas um resquício do que um dia foi minha perna, terrível, era um emaranhado de secreção verde, marrom e o cheiro realmente era insuportável. Dor, muita dor, naquele momento eu percebi que se demorássemos mais um pouco realmente não restaria outra alternativa a não ser a amputação.  
Fui submetida a uma cirurgia de emergência, é a maior de todas no quesito extensão, percorre toda a lateral de minha coxa. Dr. Cunha me promete uma espécie de buraco na região abdominal, a fim de eliminar os vômitos e assim melhorar minha saúde, junto com o tal buraco ele também me promete uma janelinha no gesso, para que a incisão pudesse ser limpa diariamente e também observada pela minha mamika (é como chamo carinhosamente minha mãe), estava eu então rumo à minha segunda cirurgia.
Continua...


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