Com o auxílio de nossa família que é e sempre será
maravilhosa, tias, tios e primos, todos vivendo nossa vida, sofrendo nossa dor,
quando digo “nossa” é por que os personagens principais deste drama com certeza
são eu e minha amada mãe.
Abro aspas para falar um pouco de minha guerreira, casou
cedo, apaixonada, teve três filhos, meu mano Cristiano, Michelle minha eterna
protetora e euzinha rsrs...Minha mãe sempre conta que eu fui uma criança
extremamente saudável, não tive nenhuma dessas doenças de infância porém,
quando adoeci foi pra valer.
Uma das cenas que mais gosto de me lembrar foi numa
determinada tarde, minha mãe me levava para a Secretaria de educação, seu local
de trabalho. Lá, eu tinha uma cama improvisada onde passava o dia na companhia
de minha mãe datilografando documentos importantes e suas colegas. Adorava ver
como ela era ágil e eficiente rsrs..Bem, ao retornarmos para casa eu no colo de
minha mãe em pé pois, ainda estava com aquele gesso de corpo inteiro, começou a
chover, e minha amada acelerou os passos, eu vendo seu esforço para que
chegássemos logo, começo a enchê-la de beijos e dizia: Os meus beijinhos são o
teu combustível, quanto mais beijinhos eu der mais rápido chegamos. Puxa,
adorei lembrar isto, engraçado como nossas vidas sempre se unem, hoje, por
exemplo, vivemos apenas eu e ela, numa mais que perfeita harmonia. Sempre
dizemos uma à outra que somos o casamento mais perfeito que já conhecemos nos
amamos, nos respeitamos e curtimos nossos momentos juntas com muita alegria.
Conseguimos uma consulta com Dr. Cunha no Hospital Cezar
Perneta, sugestivo o nome para um hospital ortopédico, mas, confesso que de
início não gostei, pois, esse era um dos adjetivos mais usados para minha
pessoa na escola.
Entramos no consultório, eu, minha mãe e minha madrinha (mais
tarde quero falar muito sobre ela, uma pessoa mais que especial para mim), sabe
quando uma pessoa nasceu para desempenhar certa função? Pois é, Dr. Cunha é um
anjo que Deus emprestou para nós meros mortais, e eu agradeço até hoje por este
homem fazer parte de boa parte de minha vida. Atencioso, amável, e muito, muito
brincalhão fez com que o clima de tensão e nervosismo atenuasse e muito. No meu
próprio gesso ele começou a desenhar como as coisas estavam o que seria
necessário para “tentar” reverter o caso. Ok, feito isto era chegada a hora de
abrir o sarcófago rsrs... Lembro de minha querida madrinha ao meu lado tentando
me acalmar fazendo com que aquele momento fosse menos traumático possível para
mim, olha, para mim foi sim, porém, para ela... Ao abrir o gesso ela
simplesmente desmaiou. O cheiro de podre tomou conta de todo o consultório e eu
tentava levantar a cabeça para ver como minha perna estava o que vi era apenas
um resquício do que um dia foi minha perna, terrível, era um emaranhado de
secreção verde, marrom e o cheiro realmente era insuportável. Dor, muita dor,
naquele momento eu percebi que se demorássemos mais um pouco realmente não
restaria outra alternativa a não ser a amputação.
Fui submetida a uma cirurgia de emergência, é a maior de
todas no quesito extensão, percorre toda a lateral de minha coxa. Dr. Cunha me
promete uma espécie de buraco na região abdominal, a fim de eliminar os vômitos
e assim melhorar minha saúde, junto com o tal buraco ele também me promete uma
janelinha no gesso, para que a incisão pudesse ser limpa diariamente e também
observada pela minha mamika (é como chamo carinhosamente minha mãe), estava eu
então rumo à minha segunda cirurgia.
Continua...
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