A primeira pessoa que vi ao acordar foi meu querido
médico, com uma feição de alegria e de trabalho cumprido. Quando o vi meu
reflexo foi imediato, levei uma de minhas mãos em direção de meu peito, Dr.
Cunha também aguardava ansioso por este momento e comentou: Ah, achou que eu
iria esquecer o nosso combinado?
Realmente, ele não esqueceu! Eu agora estava com um
sorriso que cobria todo o meu ser. Os vômitos cessariam enfim. No meu peito e
abdômen ganhei um bom e belo buraco o qual me permitia até eu coçar o umbigo
rsrs... A tal da janelinha também estava lá.
Rsrs...isto me faz lembrar um fato que só fiquei sabendo
depois de grandinha, Mamika era quem fazia a limpeza da incisão e lembro que
sempre brincava para tirar minha atenção, como a infecção estava num grau
altíssimo meu Fêmur estava se desfazendo, e pela incisão saiam pedaços de mim.
Mamika conta que muitas vezes terminava os curativos e chorava escondidinha.
Não deve ter sido fácil para ela com certeza, perdeu seu
emprego o qual adorava em função de muitas faltas para me levar às consultas,
às sessões de fisioterapia, admiro esta mulher! Ela não desistiu de mim e eu
também não poderia esmorecer diante de tanta dedicação e esforço.
Já na enfermaria, me colocaram numa cama cheia de
artefatos e minha perna amarraram e ao fim de tudo havia um peso, este
procedimento se chama Tração, junto disto haviam drenos, de tempo em tempo a
enfermeira aparecia e recolhia a secreção que saía e muito de dentro de mim.
Tempos difíceis, o pior mesmo era quando o horário de visitas terminava, dava
um vazio e ao mesmo tempo um desânimo em pensar que teria de esperar até o
outro dia para poder tê-los ao meu lado novamente.
Lutamos juntas, com a companhia do Dr. Cunha e sua
equipe.
Minha família foi muito importante, minha madrinha sempre
ao nosso lado dando carinho, apoio, comida, remédio, agradeço até hoje por tudo
que esta mulher chamada Selva, fez não só para mim, mas, à Mamika também. Acho
que a garra de minha mãe veio ao se espelhar nela. Te amo minha madrinha
querida.
Várias cirurgias foram feitas, tudo para diminuir o
estrago já feito anteriormente.
Aos doze anos em função de seqüelas eu já estava com doze
centímetros de encurtamento de uma perna para outra. Andava com auxílio de
palmilhas e solados extras (que eu odiava, demorei para voltar a gostar de All
Star em função destes solados extras. Aos onze anos ganhei um vermelho, dois
números maior que o meu pra durar...era horrível eu vivia escondendo meu pé
esquerdo, mas hoje tenho até coleção de All star rsrs...), para compensar o
déficit. Foi então que nos encaminhamos para mais uma batalha, seria eu uma das
primeiras crianças do país a realizar o alongamento ósseo. Hospital era mais
meu lar que minha própria casa, e nesta cirurgia em especial passei um bom tempo
”hospedada”.
Continua...
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