domingo, 3 de junho de 2012


A primeira pessoa que vi ao acordar foi meu querido médico, com uma feição de alegria e de trabalho cumprido. Quando o vi meu reflexo foi imediato, levei uma de minhas mãos em direção de meu peito, Dr. Cunha também aguardava ansioso por este momento e comentou: Ah, achou que eu iria esquecer o nosso combinado?
Realmente, ele não esqueceu! Eu agora estava com um sorriso que cobria todo o meu ser. Os vômitos cessariam enfim. No meu peito e abdômen ganhei um bom e belo buraco o qual me permitia até eu coçar o umbigo rsrs... A tal da janelinha também estava lá.
Rsrs...isto me faz lembrar um fato que só fiquei sabendo depois de grandinha, Mamika era quem fazia a limpeza da incisão e lembro que sempre brincava para tirar minha atenção, como a infecção estava num grau altíssimo meu Fêmur estava se desfazendo, e pela incisão saiam pedaços de mim. Mamika conta que muitas vezes terminava os curativos e chorava escondidinha.
Não deve ter sido fácil para ela com certeza, perdeu seu emprego o qual adorava em função de muitas faltas para me levar às consultas, às sessões de fisioterapia, admiro esta mulher! Ela não desistiu de mim e eu também não poderia esmorecer diante de tanta dedicação e esforço.
Já na enfermaria, me colocaram numa cama cheia de artefatos e minha perna amarraram e ao fim de tudo havia um peso, este procedimento se chama Tração, junto disto haviam drenos, de tempo em tempo a enfermeira aparecia e recolhia a secreção que saía e muito de dentro de mim. Tempos difíceis, o pior mesmo era quando o horário de visitas terminava, dava um vazio e ao mesmo tempo um desânimo em pensar que teria de esperar até o outro dia para poder tê-los ao meu lado novamente.
Lutamos juntas, com a companhia do Dr. Cunha e sua equipe.
Minha família foi muito importante, minha madrinha sempre ao nosso lado dando carinho, apoio, comida, remédio, agradeço até hoje por tudo que esta mulher chamada Selva, fez não só para mim, mas, à Mamika também. Acho que a garra de minha mãe veio ao se espelhar nela. Te amo minha madrinha querida.
Várias cirurgias foram feitas, tudo para diminuir o estrago já feito anteriormente.
Aos doze anos em função de seqüelas eu já estava com doze centímetros de encurtamento de uma perna para outra. Andava com auxílio de palmilhas e solados extras (que eu odiava, demorei para voltar a gostar de All Star em função destes solados extras. Aos onze anos ganhei um vermelho, dois números maior que o meu pra durar...era horrível eu vivia escondendo meu pé esquerdo, mas hoje tenho até coleção de All star rsrs...), para compensar o déficit. Foi então que nos encaminhamos para mais uma batalha, seria eu uma das primeiras crianças do país a realizar o alongamento ósseo. Hospital era mais meu lar que minha própria casa, e nesta cirurgia em especial passei um bom tempo ”hospedada”.
Continua...

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